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Mentira, Desonestidade e Corrupcao - Mario Persona

Mentira, Desonestidade e Corrupção - Mario Persona (mp3)
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Youtube: https://youtu.be/FwqSlxh3ITA


Mentira, desonestidade e corrupção
Mario Persona

Todas as manhãs quando eu entro na internet para ver o noticiário, é difícil um dia em que a notícia não seja “foi preso fulano de tal”; “polícia federal faz operação e prende tal político, empresário tal doleiro, etc”. É até meio estranho quando você abre o jornal de manhã e não vê tais notícias: mas o que aconteceu? Ninguém foi preso hoje?  Tornou-se rotina em nosso país a prisão de corruptos e corruptores.

E o interessante é que nos sobe o sangue e falamos: “Mas que coisa! Que crime! Esse povo roubando o país! São corruptos! São corruptores! São bandidos! Merecem cadeia!”. Mas nós nos esquecemos de uma coisa muito importante; nesta sala há certo número de corruptos. Multiplique por dois que você terá o número de corruptores também. Porque todos aqui nesta sala são corruptos e corruptores, inclusive eu. Isso é inerente ao ser humano.

Talvez alguém pense que a corrupção começa quando um político fala com um empresário, ou com um empreiteiro e diz: “Eu consigo esta obra para você. Você a superfatura e depois me dá uma parcela e assim resolvemos o problema”, então, o empreiteiro aceita a proposta e temos um ato de corrupção. Ou o contrário, o empreiteiro pode procurar o político e falar: “o quê você pode fazer por mim para que eu ganhe essa obra? Eu te faço um repasse de tantos milhões...”, e aí acontece a corrupção.

Porém, existe um mecanismo anterior a este, e que é interno no ser humano.

A corrupção começa, na verdade, com a mentira.

E você vai falar: “Não, Mário! Um fala a verdade para o outro. O corrupto e o corruptor, quando negociam, são muito verdadeiros. Um fala: ‘você vai ganhar tanto’, e eles cumprem isso. Eles são honestos em cumprir seus tratos, tanto é que alguns esquemas de corrupção duram décadas, antes que sejam descobertos, antes que alguém abra a boca. Porque eles se mantêm nesse sistema...” Mas começou com uma mentira. A mesma mentira daquele que a criou: Ele que fora um anjo dos mais elevados da hierarquia de Deus; um querubim. O querubim da guarda e que a Bíblia chama de Satanás, ou ainda de serpente, de dragão, de diabo. Há várias designações para esse querubim que lá atrás, antes mesmo da criação do homem, contou uma mentira.

Para quem ele contou essa mentira?

Não foi para Eva, porque ela ainda não existia, mas para si mesmo.

Lá atrás ele disse: “subirei e serei semelhante ao Altíssimo”. Ele se convenceu de que poderia chegar ao patamar de Deus Altíssimo. Contou para si mesmo essa mentira, acreditou nela e a coisa começou aí. Mais tarde ele iria também contar uma mentira para Eva; quando Deus falou para Adão e Eva que eles poderiam comer de todos os frutos do jardim, mas que não comessem de uma determinada árvore do conhecimento do bem e do mal. Então veio a serpente, que era o próprio Satanás travestido de serpente, e falou: “foi isso que Deus disse? Que você não deve comer das árvores?” e Eva respondeu: “Não! Ele falou que não devemos comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, que não devemos nem tocar nesta árvore.” Pronto! Eva também contou uma mentira, porque Deus não falara isso. Ela contou para si mesma e para Satanás uma mentira, começando  assim, esse jogo da mentira.

Como funciona esse “esquema” da mentira?

Eu conto uma mentira para mim; e acredito na minha mentira.

Quando Satanás disse para Eva que se eles comessem do fruto, eles seriam como Deus, conhecedores do bem e do mal, isso deu um “estalo” na mente de Eva e ela conversando consigo mesma, deve ter pensado “uau, eu quero ser como Deus! Eu não vou morrer. Ele disse que eu não vou morrer”. Ela repetiu para si a mentira e acreditou nisso.

É assim que funciona o esquema, uma mentira interna que contamos para nós mesmos.

Pense num viciado em drogas. Se você visitar uma clínica de recuperação de dependentes químicos, existe algo que todos ali têm em comum: aquele vício começou com uma mentira. Um dia eles disseram para si, em seus corações: “será uma única vez. Eu vou só experimentar e depois não vou mais usar”, e eles acreditaram na mentira. E agora eles estão na clínica porque acreditaram em suas próprias mentiras.

Toda corrupção começa assim também. Eu conto uma mentira para mim, eu argumento, arrumo desculpas para minha própria mentira, confirmo um pecado e me deixo corromper, ou sou corrompido.

Quando o Senhor Jesus falou de Satanás, Ele disse a seguinte frase: “Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.” (João 8:44)
Mentiroso e pai da mentira; aí foi o começo de tudo.

Alguém pode argumentar o seguinte: “mas eu não sou mentiroso, não sou corrupto. Eu sou uma pessoa muito honesta, procuro fazer as coisas com a maior honestidade e nunca faço uma coisa errada.”

Então eu perguntaria: “os programas do seu computador são todos originais? Tem algum pirata? Porque em algum momento você deve ter contado para você mesmo a seguinte mentira: “eu vou instalar só para ver se gosto e depois, compro”. E esse programa, está lá há  quanto tempo?

Alguma vez você já estacionou em local proibido? Ou em fila dupla? Ou em vaga de deficiente?

Já contou uma mentira. Qual foi? “É só um minutinho...”, ou então você disse “ah, todo mundo faz... Eu vou rapidinho ali, compro o que preciso e já volto”. É uma mentira! Você mentiu para si mesmo e  acreditou na mentira. Você alguma vez já pegou material da empresa onde trabalha? Lápis, caneta, borracha, régua, papel, emprestou aquele livro que nunca mais devolveu?

E sempre tem uma explicação. “Todo mundo faz. O que é um lápis, uma caneta? Tão barato!”, ou “eu tenho que fazer o trabalho da faculdade. Onde eu vou tirar cópia? A copiadora está fechada” e assim você explica para você mesmo a sua mentira.

Você já fingiu que trabalha? E quando o chefe passa, você dá uma arrumada na mesa?

Eu trabalhei num banco em São Paulo e na época, nós trabalhávamos de terno. Havia inclusive um esquema montado e quando queríamos fazer trabalhos na rua, deixávamos o paletó na cadeira. Porque se alguém passasse e perguntasse por mim, o colega diria que eu deveria estar por ali, apontando para meu paletó na cadeira. Bastava deixar o paletó ali, criando a sensação de que você estava no prédio e não na rua,  pagando conta, comprando alguma coisa.

Você já dirigiu acima da velocidade? “Ah, mas eu precisava. Eu tinha uma necessidade de chegar mais rápido. Eu precisava...” Já passou em sinal vermelho? “Mas estava tudo livre. Por que eu ia ficar parado tanto tempo?” Já falou ao celular dirigindo? “Ah, mas era só para atender aquele telefonema. Não é toda hora que eu falo ao celular.”

Você percebe como existe um padrão em nós mesmos, dentro da nossa cabeça? Nós mentimos e acreditamos, mentimos e acreditamos. Então quando alguém pergunta se você quer entrar num “esquema”, você pensa “ninguém vai sair perdendo com isso, não é? Não vai dar prejuízo para nenhuma pessoa. Não vou entristecer ninguém. É só a seguradora que vai pagar, mas a seguradora tem muito dinheiro...”. E você começa seus esquemas e cria a sua “historinha”.

E se o mendigo pergunta se você tem uma moeda, você bate a mão no bolso e diz “hoje eu não tenho dinheiro”. É verdade isso que você falou para ele? É mentira e você acredita nela! “Ah, mas se eu ficar dando dinheiro para esse cara, ele vai comprar droga, vai tomar pinga”. Enfim, você monta o seu esquema de corrupção interna e acaba sendo corrompido pela sua própria mentira. Não há como fugir disso.

Quando eu comecei a trabalhar com internet, no início da internet no Brasil, o comércio eletrônico estava engatinhando, estavam aprendendo. E uma grande loja de roupas femininas, situada na Inglaterra, gastou milhões em investidores e depois de um tempo quebrou, não deu certo. Eles falharam num ponto: vendiam roupas muito mais baratas do que em qualquer outra loja, mas  não previram uma coisa: as mulheres mentem. Eles chegaram a criar um manequim e a mulher podia assinalar todas as medidas do seu corpo para não acontecer de comprar uma roupa que não servisse. Mas o número de devoluções era tão grande, por precisar pedir um número maior depois, que eles descobriram que as mulheres mentiam. Estava lá, a cintura media tanto, mas elas punham um pouco menos porque achavam que até chegar a roupa, iriam emagrecer. Mentiam. A roupa vinha menor, precisava devolver, e isso acarretava um prejuízo para a loja. Quantos aos cliente homens eu não sei, eles não ligam muito para medidas...

Outra dia assisti um documentário muito interessante com um professor de psicologia comportamental, de uma universidade americana, um israelita que sofreu uma queimadura muito severa e ficou três ou quatro anos internado num hospital. Durante esse tempo todo ele estudou a mentira e  concluiu muitas coisas a respeito deste tema. Ele descobriu por exemplo, que todo mundo é desonesto. É como a série de TV “Dr. House” quando o personagem diz que todo homem mente. É verdade mesmo; todo homem mente. São feitas inclusive, experiências que comprovam isto,  por exemplo, colocaram uma dessas máquinas de refrigerante dentro da universidade, ao lado das outras máquinas, porém aquela máquina especificamente, já tinha um defeito. Quando a pessoa depositava o dinheiro na máquina, caía o refrigerante, só que o dinheiro vinha junto. E sabe o que eles descobriram? Ninguém ligava para a direção a fim de comunicar que a máquina estava com defeito, que ela estava devolvendo o dinheiro. É claro que se a máquina não desse o refrigerante e segurasse o dinheiro, na hora o sujeito ligaria... Mas neste caso não; ninguém avisava a direção, pelo contrário, todo mundo avisava os amigos: “olha, vai lá naquela máquina que ela devolve o dinheiro”. Porque o homem, naturalmente, é injusto,  é mentiroso. Ele quer ganhar de alguém e não importa se alguém vai perder.

Outra coisa que eles descobriram nesses testes, é que as pessoas eram capazes, por exemplo, de roubar objetos das empresas. O sujeito levava uma caneta, mas não tinha coragem de colocar a mão no caixa da empresa e tirar R$ 2,00 ou US$ 2,00, mas roubava sim a caneta da empresa, ou a borracha, ou a régua ou alguma coisa. Eles perceberam que quando a pessoa não enxerga dinheiro na transação, ela é mais apta a se corromper do que se visse o dinheiro, porque ela foi criada dentro de um sistema moral que diz que é feio roubar dinheiro, que é crime. Mas se o dinheiro estiver escondido dentro de alguma coisa...

Foram feitos testes  com alunos, e a eles era dado um questionário para preencher com coisas simples, apenas para assinalar verdadeiro e falso e depois, cada um corrigia sua própria prova, dando uma nota para si mesmo, 5, 6, 10, 8, até 10, e colocava depois a folha da prova num triturador de papel que havia na sala de aula, depois o aluno passava numa caixinha e tirava o número de notas de um dólar, equivalente à nota que ele deu a si mesmo na prova. Os estudiosos  descobriram que a maioria dos alunos mentia e dava nota maior do que aquela que eles tinham tirado. Como eles sabiam disso? Porque o triturador de papel era falso. A pessoa colocava o papel na máquina e o que saía embaixo não era o papel triturado daquela folha, mas esta ia para outro lugar, sendo posteriormente, cada real nota vista, e quanto foi retirado da caixinha. Ou seja, a pessoa mentia por mentir. Ela se torna um viciado e ninguém consegue se livrar desse vício.

A outra questão de não olhar para o dinheiro é interessante; é como o guarda de trânsito. Ele pára você na estrada, você coloca uma nota dentro do documento do carro e entrega para o guarda. Mas como você faz na hora que entrega a nota? Você não olha para a nota. Você olha para a estrada. E o guarda, como que ele pega? Ele sabe que tem o dinheiro ali. Ele viu você colocar o dinheiro, então ele pega o dinheiro, sem olhar diretamente para ele, mas para o lado e enfia no bolso. Porque ele descobriu nesses testes que se a pessoa não olhar para o dinheiro, ela é mais apta a cometer o crime ou a infração porque simplesmente, “não viu o dinheiro”.

Olha que incrível a nossa cabeça! Como nos enganamos a nós mesmos! Como somos ladinos, espertos, contando mentira para nós mesmos.

Como nos livramos dessas coisas?

Bom, há um versículo na Bíblia que diz assim: “do interior do coração do homem saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos,  as avarezas, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura, todos esses males procedem de dentro e contaminam o homem”. Então parece que não há uma solução boa ou eficaz para tirar esses males do ser humano, não é? Será que existe um jeito? Eles estão no coração do homem. Está lá dentro, faz parte da nossa natureza, que nós herdamos de Adão, que foi o primeiro lá no jardim do Éden que pecou. Como fazemos para arrancar isso de nós?

Existe uma maneira que não é muito eficaz. Esse mesmo cientista, fez alguns outros testes com pessoas. Ele dava um questionário para a pessoa responder e para colocar a assinatura no fim do tal  questionário. O texto era elaborado de uma maneira tal, para induzir a pessoa a mentir. Então a pessoa respondia e no final assinava. Todavia, para um outro grupo, ele dava um questionário no qual a linha para a assinatura era no começo do questionário. Sabe o que acontecia?

Esses que assinavam antes de preencher mentiam menos do que aqueles que assinavam depois de preenchido.

Por que isso? Porque o indivíduo assumia uma responsabilidade no começo. E os que preenchiam sem responsabilidade, descobriam ao final que tinham que assinar o nome e, como eles já haviam preenchido, colocavam o nome assim mesmo.

Outra coisa que ele percebeu é que se a pessoa colocasse uma mão sobre a Bíblia, antes de participar de determinados testes, que também envolviam mentir, pegar dinheiro da caixinha, triturar papéis que na realidade não eram triturados, etc, e jurasse dizer somente a verdade, o índice de mentira caía. Mesmo que o indivíduo fosse ateu. O fato de jurar sobre uma Bíblia, reduzia o índice de mentiras.

Eles chegaram a fazer outro teste, no qual o participante assinava dizendo se comprometer a cumprir o código de ética da universidade e dizer somente a verdade. Mesma coisa: os que assinaram esse documento mentiram menos do que aqueles que não assinaram. Porém a universidade não tinha nenhum código de ética. O simples fato de a pessoa achar que estava dentro de um contexto moral, reduzia a sua mentira.

Mas veja, isso não resolvia a questão, porque nós temos um problema no nosso coração, o qual nós não conseguimos erradicar. Por controle moral, por leis e por regras, colocar a mão sobre a Bíblia etc. Pode ajudar a diminuir, mas não resolve. Por quê? Porque nós temos um “examinador” que não é esse cientista. Nós temos um examinador que é Deus! E Ele vai nos julgar segundo as nossas obras. E se tivermos um único pecado, uma mentira apenas no nosso “prontuário”, nós estaremos perdidos para sempre. Adão e Eva foram expulsos por causa de um pecado, um único pecado, mas que depois acarretou outros, quando eles começaram a elaborar em cima daquele primeiro pecado. Entretanto, o que causou a expulsão deles foi um pecado apenas. A desobediência a Deus!

Então nenhum homem vai conseguir escapar de Deus tentando seguir leis e regras que “abafem um pouco” a questão, ou que reduzam suas mentiras, porque se houver apenas uma, ele já estará perdido.

Há um versículo na Bíblia, no livro de Jeremias que diz: “porventura pode o etíope mudar a sua pele ou o leopardo as suas manchas? Então podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal”. Essa é uma pergunta astuta, porque não pode! O leopardo não pode mudar as suas manchas; “porque se puder então vocês podem fazer o bem...”, então o que concluímos disso? Nós não podemos fazer o bem. Nós somos interna e completamente maus. Portanto, vamos precisar de algo externo a nós, porque se buscarmos em nós mesmos, estamos perdidos.

O Senhor Jesus, ao falar com os fariseus – e eles eram extremamente religiosos – em dois momentos os chama de sepulcros. Em um momento Ele fala: “vocês são sepulcros caiados. Bonitos por fora, cheios de ossos e podridão por dentro”. Num outro momento, Ele diz: “vocês são como sepulturas escondidas sob a relva e que os homens pisam sem saber que estão pisando”.

Porque os fariseus, assim como todos nós, tinham dois esquemas de esconder as suas mentiras e   seus pecados. Um era “pintando e enfeitando o exterior” para que as pessoas não percebessem o seu interior podre, como uma sepultura caiada: é bonitinha, branquinha, brilhante, mas cheia de ossos. Ou então, eles dissimulavam, escondiam, fingiam, como os sepulcros debaixo da relva, sobre os quais as pessoas andam e não sabem que tem um morto debaixo, porque está dissimulado, está escondido.

Nós tanto enfeitamos a nossa conduta, porque temos uma reputação a zelar, como também a dissimulamos. Mentimos todos os dias. Queremos que as pessoas pensem que somos algo que de fato, não somos. E isso é natural do ser humano. O seu cabelo é da cor original? Seus olhos são dessa cor? Suas unhas? A sua altura é essa se você tirar o salto? Percebe que nós queremos criar uma imagem de nós mesmos para as outras pessoas? Porque isso nos faz sentir bem. Mas não é de fato o que somos, não é? Faz parte da condição humana essa maneira de dissimularmos de um lado ou enfeitar do outro. Contando pequenas mentiras aqui e ali, nas quais nós mesmos acabamos por acreditar.

Quando vou ao médico e a enfermeira pergunta o meu peso; na hora me dá uma grande vontade de falar o peso que eu gostaria de ter! O apóstolo João escreve em 1 João: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” (1 João 1:8)

Muito claro isso, não?!

Eu estou convencido de que eu sou mentiroso; de que eu sou corrupto. Eu estou convencido disso. Eu estou convencido de que todos os dias eu me engano a mim mesmo. Eu tento me enganar com pensamentos, justificando as minhas atitudes erradas o tempo todo. Estou ciente disso!

Bom, então o que eu vou fazer? Eu estou perdido completamente!

É aí que entra a questão.

Paulo escreveu em Romanos 7:24: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”. Se você já chegou neste ponto de se reconhecer pecador, diante aos olhos de Deus, não diante aos olhos do professor na classe, do patrão quando você fingiu que estava trabalhando… Não! Aos olhos de Deus! Se você já chegou a este ponto e já deu o brado: „miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”, a resposta é que a continuação dessa pergunta é: “graças a Deus por Jesus Cristo”.

O versículo 3, do Salmo 7, diz: “Senhor meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade nas minhas mãos...” e David continua escrevendo. Certo dia um irmão trouxe essa sequência de versículos numa reunião e eu achei tão interessante que pedi para fotografar as suas anotações.

David era um homem como qualquer um de nós e que pecou também. Que falhou horrivelmente e fez coisas medonhas e, ao longo dos Salmos, nós vemos um certo progresso em seu reconhecimento do pecado.

Os Salmos dizem muita coisa e podemos pinçar coisas interessantes deles, e uma é justamente esta, no Salmo 7:3 “Senhor meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade nas minhas mãos,”… É muito comum alguém lá no senado por exemplo, falar: “se eu fiz algum malfeito, então, vocês julguem aí se eu cometi mesmo algum ato errado”. Ele não admite que cometeu. Não diz que cometeu, mas sim,  “se; se eu fiz”.

O primeiro passo da pessoa que não está ainda convicta de seu pecado é dizer: “se eu pequei”, “se eu sou pecador”, “se eu sou mentiroso”, mas a pessoa não está convencida.

O Salmo 19:12, é um passo a mais, quando Davi escreve: “Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.”

Agora ele admite, que pode ter algum erro, mas não enxergou ainda, coitado. Ele é inocente, ele não viu, “Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos“, ou seja, eu tenho alguns, mas eu não vi. Eu não sei onde estão. Olha que interessante. Como o ser humano é ladino, não?

Às vezes as pessoas me escrevem perguntando “mas veja, Davi mentiu!”. Sim, mentiu. E daí?

Ele era um homem, como nós. Elias por exemplo, era sujeito às mesmas fraquezas, conforme escrito no N.T., mas ele orou. Um grande profeta de Israel, todavia sujeito às mesmas fraquezas.

Todos os homens que encontramos na Bíblia, exceto um, eram mentirosos, eram falhos, eram pecadores, eram homens corruptos, todos eles. Exceto o Senhor Jesus Cristo. Ele é o homem perfeito! O filho de Deus em carne, vindo ao mundo em forma humana.

Mas, retornemos a Davi, quando ele diz “Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos”. Primeiro, “se eu fiz isto” e agora, “talvez eu tenha feito, mas eu não vi ainda”.

No Salmo 25, versículo 7, ele diz: „Não te lembres dos pecados da minha mocidade…“ Agora ele admite que tem, mas aqueles lá atrás...

Na sequência, no Salmo 32, versículo 5, ele reconhece: “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri”. Agora não tem “se”, não tem “oculto”, não tem subterfúgio; ele confessa o pecado e não encobre a sua maldade.

Então, no Salmo 38:4, ele diz: “Pois já as minhas iniquidades ultrapassam a minha cabeça; como carga pesada são demais para as minhas forças.”

Que maravilha quando a pessoa chega a esse ponto!

Eu não tenho condições de lidar com meu próprio pecado. Eu sou muito pecador! É um peso maior do que eu posso suportar. Não está mais oculto. Não é mais “se” eu pequei… Não é mais “ah, deve estar em algum lugar”. Não é o da minha juventude não; é esse que agora passa por cima da minha cabeça!

E no Salmo 51, ele vai discorrer um pouco mais a respeito disso. Lá, nós vemos uma pessoa madura, no sentido de reconhecimento do seu pecado. Neste Salmo, o profeta Natan vem até ele e faz vir à tona o crime que Davi havia cometido – ou seja, o adultério com posterior gravidez de Batseba, e que depois, Davi ainda montou um esquema para matar o marido de Batseba, para que não aparecesse a gravidez dela: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.”

“Contra ti eu pequei”; esse é o homem, quando chega à conclusão que ele não pecou contra o dono da empresa, quando ele fingiu que estava trabalhando, que ele não pecou contra as leis de trânsito quando ele dirigiu acima da velocidade, que ele não pecou contra a loja para a qual ele trabalha por ter roubado canetinhas e levado para casa, que ele não pecou contra a faculdade na prova, quando ele colou ou deu uma nota acima da merecida para si mesmo. Não! Ele pecou contra Deus!

Todos os atos, mesmo os que parecem não ter vítimas humanas, são pecados contra Deus.

Mas e agora? A quem ele recorre quando ele peca?

A Deus, que é o maior lesado. E o que ele vai encontrar em Deus? Isso que ele pede: “Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado”. Ele pede a Deus purificação. Mas é possível Deus purificar alguém?

Seria possível esses corruptos que roubam do governo e embolsam fortunas, milhões e mais milhões; eles estão tendo que devolver isso, ou pagar com anos de cadeia. Será que poderia-se simplesmente “deixar barato”, esquecer essa dívida?

Não. A lei é justa e tem que ser cumprida. Eles têm que pagar pelos crimes. Eles têm que devolver dinheiro, ser presos e sofrer uma série de consequências pelos seus crimes. Como é com cada um de nós também, se praticarmos algum crime na sociedade. Nós temos juízes para isso, que nos condenam.

E Deus? Deus é justo também. Deus tem que condenar e fazer você pagar por seus pecados. Mas aí não sobra nada. Esse é o problema. A paga pelo pecado é a condenação eterna. Pecamos contra Deus. Não é coisa barata. E o juízo de Deus é certo e seguro. Cada pessoa que sai deste mundo com seus pecados, terá que se apresentar diante Deus com eles. Não tem como esconder na cueca como fizeram os políticos. Não tem onde pôr os pecados. Você vai aparecer na frente de Deus e vai falar: “não pequei”? Como? Onde? Quando? Está aqui todo o registro da sua vida. Tudo ali. Como escapar disso?

Deus fez uma obra para salvar o pecador. Ele intercedeu em favor do pecador, para que este pudesse ser salvo, porque Deus ama o ser humano que Ele criou. Não há um justo sequer, todos se corromperam, todos se fizeram inúteis, todos, diz a Bíblia. Sem exceção. Não tem ninguém que se salve. Se alguém falar que é melhor que o outro, então eu retruco perguntando, OK, mas você é melhor quanto? O padrão é Cristo! Você tem que ser tão bom quanto Ele. E isso é impossível, porque Ele é o filho do Deus eterno, sem pecado, puro, santo, separado de tudo.

Como é que você vai dizer que está ok, se Ele é o padrão? Ele é a “régua”, pela qual você é medido aos olhos de Deus.

Não salva um!

Então Deus pegou essa régua, esse Senhor Jesus, esse homem perfeito que se fez carne, que veio a este mundo, caminhou aqui como um servo humilde e foi até uma cruz; se deixou pregar naquela cruz. Por quê? Porque Ele era um Tiradentes? Porque Ele era um herói, um mártir? Não. Porque alguém precisava morrer no lugar do pecador! E foi isso que Ele fez, deu sua vida em nosso lugar.

Deus colocou sobre Cristo, ali na cruz, os pecados de todos os que serão salvos, de todos os que crêem n’Ele e O castigou durante três horas de trevas, como se o próprio pecador estivesse sendo castigado. Só que para o pecador, se ele estivesse realmente ali, não sobraria nada, porquê ele já morreu, foi condenado. A condenação do pecador caiu sobre Cristo para que você seja livre do pecado.

Se você crê em Jesus como seu Salvador, pode confiar que os seus pecados estavam todos lá naquele madeiro, sobre Cristo. Ele foi feito pecado por nós ali na cruz. Deus fez d’Ele pecado por nós e O castigou como se fosse um para-raios carregado de pecados e recebendo o raio da justiça divina sobre Si. Para resolver de uma vez por todas a questão do pecado.  O preço que Ele pagou ali dá para pagar todos os pecadores e perdoar todos os pecados do mundo, de toda a civilização humana, tudo! Ele pagou um preço altíssimo que inclui todos.

Mas você sabe uma coisa interessante? Nem todos querem ser salvos. Porque sempre tem aquele que não se acha tão pecador, tão mau assim.

Paulo falou: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar o pecadores, dos quais eu sou o principal”. Ele se reconhecia o principal dos pecadores. Cristo Jesus veio ao mundo salvar pecadores! Se você não é pecador, não se considera pecador, não tem salvação para você. Porque o preço que Cristo pagou foi para salvar pecadores, não para salvar pessoas boas. Ele falou “sãos não precisam de médico”.

Quando Ele fala do bom pastor, que deixa noventa e nove ovelhas no deserto e vai buscar uma que está perdida, e a traz nos ombros, Ele conta essa história para quem? Para os fariseus, que eram religiosos judeus que se achavam justos. É muito interessante, porque, no meio religioso sempre ouvimos essa passagem, dizendo que o pastor deixou as noventa e nove ovelhas no aprisco. Existe  até um hino “as noventa e nove ficaram no aprisco”. Não, elas ficaram no deserto. Porque Ele estava contando isso para os fariseus, aqueles que estavam no deserto, espiritualmente falando.  A posição que  adotaram em dizer que eles não tinham pecado, era uma posição de quem não tem nada para comer, de quem não tem nada para beber, um deserto aos olhos de Deus.

Mas, quem o pastor vai buscar?

A ovelha desgarrada, aquela que está reconhecidamente perdida. É essa que ele salva.

Então se você faz parte dos noventa e nove justos (aos seus olhos), você está perdido. Mas se você é a ovelha desgarrada, aquela que necessita de salvação, aquela que não tem como voltar sozinha pra casa, clame agora por Cristo, por salvação e por perdão de seus pecados porque Ele salva!

Pensemos na obra de Cristo na cruz. Se Ele tivesse morrido e ficado por isso mesmo, nós estaríamos todos perdidos. Porque Ele teria morrido somente. Não haveria salvação para nós. Mas Ele morreu e ressuscitou! A obra e mensagem completa do Evangelho é que Cristo veio ao mundo, morreu pelos nosssos pecados e ressuscitou ao terceiro dia.

Se você crê apenas que Ele morreu, mas não crê que Ele ressuscitou, você está fazendo metade da história, do caminho. Porque, se Cristo não ressuscitou,  somos os mais miseráveis dos homens, não tem salvação para nós.

Vamos abrir em 1 Coríntios 15:53, quando o Apóstolo Paulo escreve sobre a ressurreição dos mortos, que morreram em Cristo, morreram crendo, morreram na fé: a ressurreição dentre os mortos. Todos os mortos estão mortos, e dentre esses mortos Deus vai tirar aqueles que morreram na fé. E ao mesmo tempo, os vivos neste momento serão transformados, que é o que fala no versículo 52, anterior a este, versículo 51: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos (ele está falando no sentido de morrer), mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível (ou seja, esse nosso ser, nosso corpo, nossa carne, esse pacote todo que nós herdamos de Adão, é corruptível e se corrompe todos os dias) se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.”

Essa passagem é maravilhosa. Veja que interessante o que ele fala, aguilhão é anzol. Vamos ler de novo: “onde está ó morte, o teu anzol?” Porque o anzol da morte mantém o homem preso. Ele se debate pra lá e pra cá. Pense em você pescando. Você vai enrolando a linha e  no fim dela,  há um  peixe preso no anzol. E o que é aquele anzol para ele? É a morte e ele não tem como escapar.

A nossa vida aqui é mais ou menos assim, uma linha nos puxando. Pula aqui, pula ali, tenta escapar, mas a morte está lá, esperando no barco, e o pescador puxando a linha…

“Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado”, e o anzol da morte, que nos leva para a perdição eterna, é o pecado. Este nos fisgou desde o Éden e fisgou a todos os seres humanos, e está arrastando cada um para a morte. O pecado. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Todos pecaram!

E “a força do pecado é a lei”.

Olha que interessante essa passagem. Muitas religiões falam que tem que guardar a lei. “Se você guardar a lei, você vai ser salvo”. Amigo, a força do pecado é a lei!

O que quer dizer isso?

Que a lei me condena! A lei aponta para mim e fala: você pecou.

A lei é uma placa de contramão. E o que uma placa de contramão sinaliza quando você entra com um caminhão enorme numa rua estreita? E agora? O que você faz? A placa é a lei. A placa vai ajudar você a manobrar esse caminhão? Não. Pode ser o melhor manobrista de caminhão da face da terra que não vai conseguir desentalar você daquele beco. Então a lei não salva ninguém, ela só mostra que você está perdido. Por isso que a força do pecado é a lei. A lei reforça o seu erro.

“Mas graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.”

Graças a Deus porque, se por um lado, eu sou corrupto e vocês também o são, me perdoem a palavra, por outro lado, Cristo veio salvar os pecadores. Ele veio pagar o preço, veio pegar esse caminhão e virar para o lado certo. É Ele quem faz isso.

E isso vai se consumar completamente no dia da ressurreição ou da transformação. A ressurreição dos que morreram em Cristo e da transformação dos salvos por Cristo, que estiverem vivos neste dia.

E os que não creram em Cristo? Perdidos completamente e para sempre. Não há salvação, porque do interior do coração do homem saem os maus pensamentos e toda aquela lista de pecados.

“Miserável homem que sou. Quem me livrará do corpo dessa morte?” - Clama um pecador sem paz com Deus.

Só Cristo pode livrar! Se você não crer n’Ele, não há salvação, mas se crer, „aquilo que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade“.

A salvação eterna, junto com Cristo, no céu!