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O banquete dos corruptos - Mario Persona

O banquete dos corruptos - Mario Persona



https://youtu.be/_6lQfvXe_ug

O BANQUETE DOS CORRUPTOS
Mario Persona

“Depois disto, saiu Jesus, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu. E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa. E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?



E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento. Disseram-lhe, então, eles: Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes, e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem? E ele lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles?

Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, naqueles dias, jejuarão”. Lucas 5:27-35.

A história de Levi é de gratidão por ter sido encontrado pelo Senhor Jesus. Não é Levi quem vai ao encontro do Senhor, não é ele quem busca o Senhor, não é ele quem pergunta: - Senhor, o que devo fazer para ter vida? - Como foi o caso daquele jovem rico que foi ao encontro do Senhor. Mas aqui tudo é ao contrário, tudo invertido. Lá o Senhor fala que ele deixasse tudo, que vendesse suas posses, doasse aos pobres, e o seguisse, mas aqui foi o contrário. Foi Jesus quem viu o publicano no versículo 1, “depois disto, saiu Jesus, e viu um publicano chamado Levi assentado na recebedoria e disse-lhe: Segue-me”. E o Senhor apenas disse isso e não explicou mais nada! Ele não falou o que fazer, qual era o objetivo, simplesmente falou: segue-me! Obviamente, Levi sabia quem era Aquele homem. Provavelmente sabia também das curas que ele tinha feito, do paralítico, do leproso, da pesca, e de tantas coisas que foram feitas e bastou essa palavra: Segue-me! para Levi, sem questionar, abandonar tudo, como fala na Bíblia:

“Deixando tudo levantou-se e o seguiu”. Ele estava na coletoria de impostos, na recebedoria, porque era um publicano. Era ele quem cobrava os impostos dos judeus e entregava boa parte deles nas mãos dos invasores romanos. Sendo um publicano, era um pária na sociedade de Israel, era um traidor aos olhos dos judeus, porque na realidade ele trabalhava para o inimigo. Ele seria mais ou menos, como nos tempos da invasão alemã, na Polônia, por exemplo: um polonês trabalhando para alemães; acho que nenhum polonês iria olhar com bons olhos para um conterrâneo seu, se vendendo para o inimigo. Assim era um publicano aos olhos dos judeus. Mas Levi deixa tudo e segue. E qual a reação imediata desse, deixar tudo e seguir? Talvez pensasse, e agora? Eu estou sem emprego! É melhor guardar o que eu tenho, para os dias que virão, porque, vai saber o que é seguir esse homem por todo o lugar?!

Mas não, ao contrário, ele faz um grande banquete e não só para o Senhor Jesus, mas convida uma multidão de publicanos, e outros que estavam com eles à mesa, e estes outros faziam parte da lista que aos olhos dos fariseus, eram pessoas não bem recebidas na sociedade judaica. Talvez prostitutas, talvez ladrões, ali estava a escória da sociedade, convidada por Levi. Ele não apenas aceitou o convite que o Senhor fez para que ele o seguisse, mas quis estender esse convite a outros também, para que conheçam Jesus. Levi demonstra gratidão! E nesse banquete para o Senhor e seus convidados, aparecem ali esses fariseus murmuradores, porque eles comentam não diretamente com o Senhor Jesus, mas com seus discípulos: “Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” Mas quem responde é Jesus, porque ele sabia o que se passava na mente de todos. E respondendo, disse:

“Não necessitam de médico os que estão sãos”.

Pois eram fariseus, e se achavam sãos, se comparavam aos publicanos e pecadores e achavam que não tinham pecados, não tinham problema algum, pensavam ser melhores que os outros. E o Senhor Jesus deixa muito claro que os que necessitam de médicos são os enfermos, e Ele não tinha vindo chamar justos. Quais justos? Aqueles que assim a si mesmos se consideravam: os fariseus! Jesus tinha vindo chamar os pecadores ao arrependimento.

É sempre interessante lembramos disso, em conexão com uma parábola que o Senhor fala do filho pródigo, onde na realidade, o tema principal não era especificamente o filho pródigo, porque nos versículos que antecedem a parábola, Ele está conversando com os fariseus e com os mestres da lei, logo, o assunto da parábola, era o pai pródigo. O pai quer gastar tudo para salvar um que era perdido, e o outro assunto da parábola, era o filho mais velho, o justo, aquele que nunca tinha saído da casa do pai. Tanto que quando o pai o convida a entrar para celebrar a recuperação do filho perdido, ele se recusa. Toda pessoa que se considere alguma coisa, não tem salvação. A salvação é, Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores! Se eu achar que não sou um pecador, não tem salvação pra mim. Se eu me achar de alguma forma justo, não tem salvação.

Hoje eu recebi um e-mail de um irmão em Cristo, me falando que quer muito evangelizar. Ele vem de uma denominação, eu creio que pentecostal, e diz que leu muitas coisas, como o livro do Charles Stanley sobre o evangelho do Mackintosh, leu as cartas dos evangelistas, etc. Porém, não consegue entender, como ele pode evangelizar usando passagens, como João 5: 24 que fala: Quem ouve a minha palavra tem a vida eterna, não entrará em condenação mais passou da morte para a vida, e também como diz em Atos 13, para crer somente em Jesus. Esse rapaz não compreende como ele pode falar desses temas sem insistir para que a pessoa mude de vida, de acordo com o que está em Romanos 6:1-2. Expliquei a ele que essa passagem for escrita aos crentes que estavam em Roma, não é evangelismo, mas uma explicação do evangelho, é o que aconteceu com eles depois que creram em Jesus, é sobre como o evangelho opera numa alma.

Há uma dificuldade nas pessoas que confessam ser cristãs, para entenderem que a salvação é por graça somente. E esse homem Levi, entendeu isso rapidamente, porque ele não tinha nenhum predicado que pudesse capacitá-lo ou dar a ele um status ou direito de receber a visita de Jesus! Ele é um caso como o de Zaqueu, aquele homem de baixa estatura que se humilha subindo numa árvore de tão desejoso que estava em ver Jesus passar. O Senhor o convida para poder ir a casa dele, e que alegria receber aquilo! Que alegria receber atenção daquele que todos os religiosos rejeitavam, mas que os pecadores tanto queriam estar por perto, porque ele tinha uma palavra de perdão, tinha uma palavra de salvação.

E aqui fica muito claro que isso é dirigido àqueles fariseus. Eles vão insistir depois, pois não estão contente, e começam com uma conversa sobre jejum, porque afinal eles jejuavam. Os discípulos de João jejuavam muitas vezes, faziam orações, assim como os discípulos dos fariseus. No versículo 33 fala algo assim, por que seus discípulos não são tão piedosos e fiéis como nós? João na verdade, era o último e grande profeta de Israel e seus discípulos jejuavam, eles estavam bem dentro do contexto judaico, muito embora a lei não mandasse jejuar. O jejum nunca aparece na Bíblia como um mandamento, mas como um ato espontâneo, no Antigo Testamento. O Senhor fala por exemplo, daqueles casos em que não se podia expulsar os demônios a não ser com jejum e oração, mas não havia na lei qualquer mandamento que estabelecesse o jejum, ele era proclamado em algumas ocasiões em Israel, e apesar de não ser um mandamento, eles abraçavam-no como tal.

Aquele fariseu no Templo fala que jejua tantas vezes, justificando-se a si mesmo. E aqui neste versículo, vemos um homem que não tem com o que se justificar diante dos fariseus, que querem fazer a sua propaganda, sua imagem, “por que jejuam os discípulos de João, e também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem”.

Não há nada mais odioso para Deus, do que alguém que tenta apresentar os seus feitos para merecer o Seu favor de alguma maneira.

Eu sempre me lembro de um caso engraçado quando um presidente da FUNAI foi visitar uma tribo na Amazônia, e ao descer do avião, veio o chefe da tribo recepcioná-lo. O visitante estava todo de terno e gravata, e apresentou-se dizendo: Eu sou o presidente da FUNAI, tenho doutorado, tenho isso e aquilo! Deu enfim, todo o currículo para o chefe da tribo, e este último olhou e disse: Muito importante! Falando com uma certa ironia, afinal, que importância tinha tudo aquilo ali, no meio da selva? Não tinha nada a ver todos aqueles títulos que ele apresentou diante do chefe indígena! Assim é qualquer ser humano que tenta chegar à presença de Deus e fala: - Oh, eu sou isso, eu sou aquilo, eu faço isso eu faço aquilo! Deus vai falar assim: Muito importante! Mas qual a serventia de tudo isso?

Nós não temos nada, a não ser os pecados para colocar diante de Deus. Porque Cristo veio justamente salvar os pecadores.

Eu estava no médico esta semana para fazer um consulta, e o médico foi meu amigo de infância, de colegial. Estáva falando de profissão, família, filha, filhos um monte de coisas, e de repente eu parei e pensei: Ora, eu tenho que falar com o médico as coisas que estou sentindo, não estou aqui para lembrar o passado, para falar do tempo de escola, mas tenho que aproveitar a consulta, sem desviar a atenção.

E é assim aqui também! O Senhor Jesus fala: Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento. Se eu me aproximar de Jesus para falar quem eu sou e sobre as coisas que eu tenho feito, eu estou perdendo meu tempo, porque Ele está interessado em curar um pecador contrito, arrependido que se chega a Ele.